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Chrystian e Ralf de CD novo

Reconhecidos por fãs e artistas como uma das duplas mais talentosas da música sertaneja, os irmãos estão de disco novo e garantem que continuam no mesmo estilo: o estilo Chrystian e Ralf.

Com um repertório que vai de música espanhola, passa por sertanejo, até rock dos mais pesados, a dupla lança um trabalho inédito , intitulado “Para sempre irmãos”, após dois projetos que traziam releituras: “Viajando pelo Brasil”, de 2002, e “Acústico 2″, de 2007.

O novo trabalho, com 13 músicas, está disponível em SMD (mídia criada pelo próprio Ralf) e pode ser comprado por R$ 5.

Conversei com os dois ontem, antes de um ensaio, e a conversa pode ser conferida abaixo.

O assunto “SMD” foi abordado, mas haverá outra postagem em momento oportuno para falar só disso, já que o assunto rendeu bastante.

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Apos o “Viajando pelo Brasil” e o “Acústico 2, vocês lançam agora um CD inédito no qual duas músicas com arranjos mais pesados chamam a atenção logo de cara, “Vá” e “Casa”. Como foi a composição desse trabalho e a escolha do repertório?

Ralf: Nós levamos dois anos pra escolher o repertório, não tá fácil escolher um repertório de qualidade. Tá tudo muito igual, então você acaba levando quase três anos pra escolher, e leva vinte dias pra gravar.

Sobre essas músicas que você citou, quem conhece Chrystian e Ralf sabe que esse é o trabalho que a gente sempre teve, que é fazer o que a gente gosta, trazer coisas novas, expandir a cabeça pra qual seja o lado. O disco não é um disco de sertanejo, um disco de rock, um disco de gospel. É um disco do Chrystian e Ralf, ao nosso estilo.

Essa opção por não ter um disco padronizado, feito para o mercado, é considerado por muita gente um erro. Vocês, no entanto,  não só fazem isso agora como sempre fizeram durante toda a carreira. Por que funcionou com vocês?

Ralf: Olha, são 27 anos de sucesso, sempre gravando o que nós queremos gravar. Eu poderia falar “oh, vou gravar um modão agora porque sei lá”, “oh, vou gravar sei lá o que porque é o que tá rolando”. Não, a gente não faz isso, a gente grava o que a gente gosta, e as pessoas se identificam com o que a gente gosta.  

E também tem aquela outra questão que não é só papo, vou te dizer sinceramente. Quando você faz o negócio de coração, ele vai dar certo. Anota aí, pode por aí. Se você faz o que te faz bem, se você faz livre, do jeito que você gosta, as coisas voltam pra você. E isso serve pra todo mundo, pra qualquer estilo, pra tudo na vida.

 

Chrystian: As pessoas estão com uma mania de rotular. Agora Chrystian e Ralf tá gravando rock. Não, cara, a gente sempre fez essas coisas. O rótulo bitola muito a arte. Arte não tem limite, se você tiver conhecimento.

Lógico que pra você querer fazer coisas novas, você tem que ir atrás, tem que estudar, tem que entender de música. Nós somos isso, surgimos fazendo assim. Nós temos história musical, temos vários tipos de influência. Isso permite que a gente se mantenha fazendo as coisas do nosso jeito. Já tem muitos anos que nós produzimos sozinhos, pensamos instrumento por instrumento, música por música.

Qual a opinião de vocês em relação a esse cenário novo da música sertaneja?

 Ralf: Cara, olha o sucesso que eles tão fazendo. Tem uma gente que sei lá porque está querendo criar uma inimizade, uma divisão, querendo dizer que o Chrystian e Ralf, que o Chitão e Xororó não gostam, não reconhecem essas duplas.

Pô, tiram isso da onde? Isso não existe, isso é invenção. Mesmo porque esse movimento todo é positivo, aumenta o mercado, movimenta o mercado. Não existe o papo de “tomar o lugar de alguém”. Ninguém vai tomar lugar de ninguém, cada um tem o seu, nesse meio tem pra todo mundo. A gente fala que hoje está tudo muito igual, mas isso é uma coisa que eu to falando porque a gente gosta de falar de música, e não porque eu quero criticar alguém. Não existe isso, não tem nada a ver.

Chrystian: E é legal também quando a gente vê sucessos nossos fazendo sucesso de novo com esse pessoal. Claro que a gente gosta de ver bem feito, que seja gravado com qualidade, com respeito, mas é legal. Nós mesmos falamos bastante com o César Menotti, com o Fabiano, a gente liga pra falar de várias coisas ou pra não falar nada mesmo. O que quer se criar é desnecessário, tá cada um fazendo seu trabalho, direitinho. Deixa cada um fazendo o seu trabalho e fazendo sua vida.

A gente não fica se comparando a ninguém, mesmo porque a gente é uma dupla que não é imitada. Acho uma bobeira falar mal de quem está aí fazendo seu trabalho direitinho, fazendo o que gosta.

Não só as duplas novas, mas o pessoal da sua geração também trata vocês como artistas diferenciados, sempre houve o papo de vocês serem a dupla mais afinada, os mitos e etc. O porquê disso e qual o seu sentimento de vocês em relação a isso?

Ralf: Primeiro de tudo, isso é estudo. Pra gravar esse disco, eu passei vinte dias estudando técnica vocal pra que ficasse do jeito que tava planejado. Eu fui o cantor registrado mais novo do Brasil, com 9 anos eu tomava conta de gravações nas maiores gravadoras do país. Tinha que gravar com todo tipo de artista, em qualquer horário, em qualquer tom. Nós sempre estudamos, não é só chegar e sair cantando que vai ficar bom.

Quanto ao jeito que falam da gente, é legal, a gente fica feliz por ver esse reconhecimento, a gente trabalha pra isso.

A forma de cantar mudou ao longo do caminho, né?

Ralf: Na verdade, tudo mudou no acústico 1 (de 1998). Ali, a gente sentiu uma necessidade de mudar, de buscar coisas novas. Eu cheguei pro Chrystian, falei e a gente concordou que era hora de tentar coisas novas. Nesse CD acústico, a gente mexeu nas vozes, mexeu no estilo como um todo, deu um chachoalhão. O Chrystian viajou pra buscar referências, eu fui estudar pra também trazer coisas novas. Acabou que essa ideia do acústico foi se popularizando entre as duplas sertanejas.

Chrystian: só pra te chamar a atenção pra uma coisa nessa conversa de estilo de cantar, se você pegar pra ouvir “Vá”, que é a música mais pauleira do disco, você vai reparar que a segunda voz que eu faço nela é uma tradicional do estilão do Tião Carreiro. Meti uma segundona bem sertanejão na música.

Mas qual a pretensão ao gravar uma música assim? Tocar onde, exatamente?

Ralf: Cara, essa música tá estourada no Rio Grande do Sul, por exemplo. A gente saiu na capa do jornal de lá ao lado da banda “Picanha de Chernobill, mostrando que a gente ter regravado a música deles acabou apresentando mais a dupla pro estado. Porra, bicho, quer coisa mais legal do que isso?

Eu te falo que quando ainda existia o Palace, em São Paulo, a gente fez um show em que apresentamos “Nessun Dorma”, da Turandot, uma ópera, e logo em seguida a gente mandou “Peão da cidade”, uma moda de viola. Essas são as coisas que a gente gosta de fazer.

-Vai sair um DVD desse trabalho? Essa notícia chegou a ser comentada, não?

Chrystian: Diz a lenda que vai rolar sim. A gente não fez nada pra lançar nesse formato agora, mas quem sabe mais pra frente.

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O disco traz diversos estilos de músicas e influências diferentes.

Abaixo, duas canções.

A mais sertaneja de todas, com letra e melodia no estilo mais “sofrido” dos anos 1980/1990, chamada “Briga de foice”, e a mais pesada do disco, citada no texto algumas vezes, chamada “Vá.

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